Sedentarismo em Jovens e a Importância do Exercício Físico
A máxima latina “mens sana in corpore sano” — uma ideia que remonta à Grécia Antiga — continua mais atual do que nunca, especialmente quando falamos da saúde dos jovens na sociedade moderna. O sedentarismo tem se tornado um dos maiores desafios de saúde pública, afetando não apenas o corpo, mas também a mente dos adolescentes.
Historicamente, as primeiras recomendações de atividade física para adultos surgiram em 1978, pelo American College of Sports Medicine (ACSM), mas foi somente em 1994 que as diretrizes começaram a incluir a população adolescente (Sallis & Patrick, 1994). Desde então, o conhecimento científico sobre os benefícios da atividade física só aumentou, trazendo à tona os efeitos positivos que a prática regular de exercício pode ter na saúde física, psicológica e social de adolescentes.
O impacto positivo do exercício físico é notável em vários aspetos. Vamos destacar os 5 principais benefícios:
1. Prevenção de Doenças Crônicas
A prática regular de atividade física é um fator crucial na prevenção e controle de doenças não transmissíveis, como doenças cardíacas, diabetes tipo 2 e hipertensão. Estudos têm demonstrado que o sedentarismo na juventude está fortemente relacionado ao desenvolvimento dessas doenças na vida adulta (Thyfault & Booth, 2011).
2. Redução do Risco de Obesidade e Adiposidade
O aumento da adiposidade em jovens está diretamente ligado ao risco de doenças crônicas na vida adulta. A prática de exercícios ajuda a controlar o peso e evita a obesidade, contribuindo para um futuro mais saudável (Cavill, Biddle, & Sallis, 2001).
3. Melhora da Resistência Cardiorrespiratória
O fortalecimento da resistência cardiorrespiratória é fundamental para a saúde e longevidade dos adultos. Iniciar a prática de atividades físicas na adolescência oferece benefícios protetores a longo prazo, reduzindo o risco de doenças cardiovasculares (Sallis & Owen, 1999).
4. Benefícios para a Saúde Mental
Além dos benefícios físicos, o exercício físico regular também tem impactos positivos na saúde mental. Diversos estudos indicam que a atividade física está associada à redução de sintomas de ansiedade e depressão em adolescentes, promovendo o bem-estar psicológico e a autoestima (Biddle & Asare, 2011).
5. Redução dos Comportamentos Sedentários
A crescente dependência de dispositivos tecnológicos, como computadores, telemóveis e videojogos, tem contribuído para o aumento do sedentarismo entre os jovens. Esses comportamentos sedentários são, hoje, uma das maiores causas de morte e incapacidade, devido ao seu impacto nas doenças cardiovasculares (Sallis & Owen, 1999). De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de quatro em cada cinco adolescentes no mundo são sedentários, o que é alarmante, considerando os efeitos a longo prazo desse estilo de vida.
As diretrizes da OMS sugerem que os adolescentes deveriam ser fisicamente ativos todos os dias, realizando pelo menos 60 minutos de atividade moderada a vigorosa (Cavill et al., 2001). No entanto, a realidade é que muitos jovens ainda não cumprem essas recomendações, o que aumenta o risco de obesidade e doenças relacionadas ao sedentarismo.
A Importância dos Ginásios na Promoção da Atividade Física
Os ginásios desempenham um papel fundamental na promoção da saúde e bem-estar dos adolescentes, especialmente num contexto onde os comportamentos sedentários estão em ascensão. Além de serem espaços equipados com infraestrutura adequada para a prática de exercícios físicos, os ginásios oferecem um ambiente motivador e supervisionado, que pode fazer toda a diferença na adesão à atividade física.
Nos ginásios, o acompanhamento personalizado por profissionais qualificados é um dos grandes diferenciais. O fisiologista do exercício em particular, permite que os jovens recebam planos de treino adaptados às suas necessidades, objetivos e capacidades, garantindo a eficácia do exercício e prevenindo lesões. Esse tipo de acompanhamento individualizado é importante para manter a motivação e para garantir que os treinos sejam feitos de forma correta e segura (American College of Sports Medicine, 2013).
Além disso, muitos jovens preferem o ambiente mais individualizado dos ginásios, onde podem treinar sem as distrações do dia a dia, como o uso excessivo de dispositivos eletrónicos. O acompanhamento contínuo por treinadores pessoais também favorece a criação de metas alcançáveis, o que aumenta o compromisso e a consistência na prática de exercícios (Biddle & Asare, 2011).
A prática regular de exercício físico supervisionado em ginásios contribui significativamente para a prevenção de doenças crônicas, como as cardiovasculares, e para a promoção de uma saúde mental equilibrada (Thyfault & Booth, 2011). Ao integrar os jovens no ambiente do ginásio, estamos não só a incentivá-los a adotar um estilo de vida mais ativo, mas também a oferecer-lhes as ferramentas e o conhecimento necessários para manter esses hábitos ao longo da vida.
A Importância de Programas e Políticas Públicas
É crucial que escolas, comunidades e instituições de saúde promovam a prática regular de exercícios. Diversos programas têm sido desenvolvidos para incentivar a atividade física entre adolescentes, como o “Schools of Active Health” que, em vários países, tem mostrado resultados positivos em aumentar a adesão ao exercício entre jovens (Bauman et al., 2012).
A intervenção precoce e o incentivo a hábitos saudáveis são fundamentais para garantir que as futuras gerações possam desfrutar de uma vida longa e saudável, com menos riscos de doenças crônicas e transtornos mentais.
O sedentarismo é um desafio crescente para a saúde pública, especialmente entre os jovens. A prática regular de exercício físico é uma ferramenta poderosa não apenas para melhorar a saúde física, mas também para prevenir doenças mentais e promover o bem-estar geral. Portanto, incentivar a prática de atividades físicas durante a adolescência não é apenas uma questão de saúde, mas um investimento no futuro dos nossos jovens.
Texto de: Paulo Carvalho
(Fisiologista do Exercício)
Referências:
American College of Sports Medicine. (2013). ACSM's Guidelines for Exercise Testing and Prescription. 9th edition. Lippincott Williams & Wilkins.
Bauman, A., et al. (2012). The effectiveness of interventions to increase physical activity in children and adolescents: a systematic review. International Journal of Behavioral Nutrition and Physical Activity.
Biddle, S. J. H., & Asare, M. (2011). Physical activity and mental health in children and adolescents: A review of reviews. British Journal of Sports Medicine.
Cavill, N., Biddle, S., & Sallis, J. (2001). Health-enhancing physical activity for young people: Statement of the World Health Organization. World Health Organization.
Sallis, J. F., & Owen, N. (1999). Physical activity and behavioral medicine. Sage Publications.
Sallis, J. F., & Patrick, K. (1994). Physical activity and behavioral medicine. Sage Publications.
Thyfault, J. P., & Booth, F. W. (2011). Lack of physical activity and obesity: An overview. Circulation.

